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PrintImprimir | Enviado por Carlos Geilson - 31.7.2018 | 8h43
 
Brasil

"Vaquinhas" não rendem 1% do teto das campanhas nas eleições

O total arrecadado pelos presidenciáveis com o financiamento coletivo é inferior a 1% do total que uma campanha pode gastar nas eleições 2018. Segundo levantamento feito pelo Estado, a soma total da arrecadação virtual, disponível desde maio, foi de R$ 957.173 – número contabilizado até esta segunda-feira, 30. O valor é uma fração ínfima do teto de gastos previsto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para uma eleição presidencial, que é de R$ 70 milhões, acrescido de R$ 35 milhões caso haja segundo turno. Assim, na primeira eleição geral em que doações de empresas para campanhas políticas estão proibidas, o financiamento deverá ocorrer pelo dinheiro dos fundos partidário e eleitoral. Segundo analistas, a disseminação da ideia de doação entre os brasileiros ainda levará tempo. Para o diretor da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Murilo Gaspardo, o primeiro entrave para o modelo da “vaquinha online” está na cultura. Segundo ele, o brasileiro não tem o hábito de doar. Além disso, a crise político-econômica e os casos de agentes públicos envolvidos em corrupção colaboram para que os eleitores não doem. “Se às vezes a pessoa não quer nem votar, quanto mais dar dinheiro”, diz. Para ele, alguns partidos menores tendem a levar vantagem, já que estão com a imagem menos desgastada do que as grandes siglas. Isso pode explicar o sucesso da arrecadação de Marina Silva. A vaquinha online da pré-candidata da Rede começou no domingo, 22, e, em apenas cinco dias, foi capaz de ultrapassar a meta inicial de R$ 100 mil em doações. No total, já são R$ 158.553 graças à contribuição de 1.259 pessoas. Outra vantagem está na identidade ideológica da Rede, capaz de atrair mais simpatizantes dispostos a fazer uma doação, explica o coordenador do curso de especialização em marketing político da Universidade Metodista de São Paulo, Kleber Carrilho. “Só doa quem enxerga identificação programática ou partidária em uma campanha. Na Rede isso ocorre graças ao apelo da sustentabilidade, deixando o partido mais próximo da sociedade.” Essa mesma relação pode ser observada com o PT, com o PSOL e PSTU, aponta o professor. “No caso do PT, é uma sigla que perdeu seu poder nos últimos anos com a Lava Jato e teve importantes quadros condenados, mas foi capaz de retomar certo prestígio com a narrativa do Lula Livre”, avalia. (Política Livre)

 
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