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PrintImprimir | Enviado por Carlos Geilson - 6.12.2018 | 12h05
 
Consumo

Brasil precisa reduzir drasticamente consumo de carne, alerta estudo

Brasil precisa reduzir drasticamente consumo de carne, alerta estudo

Com um consumo de 140 calorias de carne por pessoa diariamente, o Brasil é o maior consumidor deste tipo de alimento do mundo e precisará reduzir a ingestão da proteína drasticamente para evitar uma crise alimentar e uma catástrofe climática, apontou um estudo divulgado nesta quarta-feira (05/12).

Segundo o relatório do Instituto de Recursos Mundiais (WRI), cerca de 2 bilhões de pessoas nos países do mundo que consumem grandes quantidades de carne – que, além do Brasil, incluem Rússia e Estados Unidos – precisam cortar seu consumo em 40% em relação ao ano de 2010.

O WRI analisou especificamente o consumo de carne de ruminantes, que além da bovina, inclui a de ovinos e caprinos. O estudo indica que o consumo ideal seria 1,5 vez por semana, em média, e destaca que metade da população mundial ingere mais proteína do que o necessário.

A redução recomendada é menor que a indicada em estudos anteriores, porém, considerada realista pelos autores do estudo, que preveem que o mundo precisará de 50% mais alimentos em 2050 para nutrir uma população mundial estipulada em 10 bilhões de habitantes, 3 bilhões a mais do que hoje. Ao mesmo tempo, para conter as mudanças climáticas, as emissões de gases do efeito estufa na agricultura precisarão diminuir em dois terços.

Diante desse cenário, o WRI aponta que o aumento na produção de alimentos não pode causar uma expansão das áreas agrícolas e nem a destruição de florestas. Atualmente, metade de todas as áreas não construídas no mundo já é usada pelo setor agrícola, que emite um terço de todos os gases que provocam o efeito estufa.

Para evitar uma crise alimentar e o aquecimento global, o relatório afirma que será necessário aumentar a produtividade por hectare, cortar o consumo de carne e acabar com o desperdício de alimentos, que atinge um terço de toda a produção.

"Precisamos mudar a forma como produzimos e consumimos alimentos, não somente por questões ambientais, mas porque isso é uma questão existencial para o ser humano", destacou Janet Ranganathan, vice-presidente do WRI.

O estudo também destaca a importância de aumentar a produtividade agrícola e, ao mesmo tempo, proteger florestas e ecossistemas e cita o Brasil como exemplo em política de concessão de crédito para a agricultura relacionada à proteção do meio ambiente.

Além do aumento da produtividade, o relatório recomenda o reflorestamento de regiões de baixo potencial agrícola, como o Brasil tem feito na Mata Atlântica.

O relatório do WRI, chamado Criando um Futuro Alimentar Sustentável, foi lançado na Conferência do Clima da ONU (COP-24) em Katowice, na Polônia.

Fonte: Deutsche Welle

 
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